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Pedro Valls Feu Rosa | Aquela missa era por nós

Aquela missa era por nós

Parafraseando Carlos Drummond de Andrade, ‘no meio do caminho da procissão tinha um cadáver’. Não era um cadáver qualquer – era o de uma vítima de homicídio. Se somos todos filhos de Deus, era o de um irmão nosso.

E eis que, por conta da sensibilidade de um verdadeiro sacerdote, o Padre Kelder Brandão, ‘no meio do caminho’ passou a haver uma missa. Uma missa em plena avenida, um cenário absolutamente tocante para um país no qual o absurdo já virou rotina.

Vivemos no Brasil, palco de 11% de todos os homicídios acontecidos neste planeta – e olhe que temos apenas uns 3% da população mundial! Moramos em Vitória, a 14ª cidade mais violenta do mundo!

Recordei-me da Guerra do Vietnã. Nela o exército norte-americano lutou ferozmente durante dez longos anos, perdendo 58.198 soldados. Enquanto isso, só no ano de 2003, o pacífico Brasil, que não estava em guerra, perdeu 51.043 filhos assassinados pelas suas ruas.

Há também a Segunda Guerra Mundial, reputada o maior conflito da história. Nesta guerra, que durou uns cinco anos, os Estados Unidos perderam 291.557 soldados em combate. Enquanto isso, entre 2002 e 2006, 243.232 brasileiros morreram assassinados em nossas cidades, que vivem em paz.

E que dizermos da Primeira Guerra Mundial? Em uns quatro anos de conflito encarniçado pelas trincheiras da Europa, 53.402 soldados norte-americanos foram mortos em combate. Enquanto isso, só no ano de 2005, a população brasileira testemunhou 47.578 homicídios, algo espantoso para um país que vive em paz!

Decidi fazer algumas contas. Verifiquei quantos soldados norte-americanos morreram em combate na Guerra do México, Guerra Hispano-Americana, I Guerra Mundial, II Guerra Mundial, Guerra da Coréia, Guerra do Vietnã, Guerra do Golfo, Guerra do Iraque e Guerra do Afeganistão. Cheguei a 666.056 baixas ao término de uns 34 anos de batalhas terríveis. Enquanto isso, em apenas 16 anos (1990 a 2006), 697.668 civis brasileiros morreram a tiros, facadas ou pauladas pelas ruas deste tranquilo país.

Já horrorizado diante destes números, fiz mais alguns cálculos e constatei algo assustador: o Exército dos Estados Unidos em guerra perde uma média de 53,67 soldados por dia. Já o Brasil, usufruindo de uma paz absoluta, perde 119,46 habitantes assassinados por dia – mais do que o dobro! Talvez devêssemos nos alistar nas Forças Armadas dos EUA – lá deve ser mais seguro e menos violento!

Voltei às planilhas. Constatei que nos cerca de cinco anos da Segunda Guerra Mundial, a pior de todos os tempos, o número de soldados mortos em combate dos exércitos da Bélgica, Bulgária, Canadá, Tchecoslováquia, Dinamarca, Grécia, Holanda, Noruega, Austrália, Índia, Nova Zelândia e África do Sul somados foi de 166.914. Nós não precisamos de cinco anos de guerra para tanto – só entre 2000 e 2003 enterramos, absolutamente em paz, 193.925 compatriotas!

Durante aqueles cinco anos de guerra a França, invadida pelos nazistas, perdeu 201.568 soldados. A Itália, sob Mussolini, 149.496. E o Brasil, durante cinco anos de paz e sossego (2001 a 2005), viu serem brutalmente assassinados 244.471 civis.

Não nos esqueçamos da impunidade: nos últimos 20 anos, 1,4 mil pessoas foram executadas por pistoleiros – em 92% dos casos os responsáveis estão impunes. Daí à justiça pelas próprias mãos é um pulo: linchamos, semanalmente, quatro irmãos nossos – uma rotina que sequer noticiada é.

Em 1940 o escritor norte-americano Ernest Hemingway escreveu um romance cuja mensagem central é a de que quando morre um homem morremos todos, pois somos parte da humanidade. Perguntava ele: por quem os sinos dobram? Eles dobram por nós. Pois é. Eu desconfio que a sublime missa do Padre Kelder foi por nós.

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