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Pedro Valls Feu Rosa | Os zumbis estão entre nós

Os zumbis estão entre nós

Segundo consta, um zumbi é um ser humano dado como morto que, após sepultado, foi desenterrado e reanimado por meios desconhecidos. Conforme pesquisei, devido à falta de oxigênio na tumba os zumbis padeceriam de morte cerebral, permanecendo em estado catatônico.

Dizem alguns que o norte-americano Donald Miller Jr. é um zumbi. Nos idos de 1986 Donald perdeu o emprego e entregou-se ao vício maldito do álcool. Pouco tempo depois, simplesmente desapareceu.

Sua esposa, Robin, foi então bater às portas dos tribunais, requerendo uma declaração formal de sua morte, a fim de que pudesse começar a receber do governo um auxílio financeiro que permitisse o sustento das duas filhas do casal.

Foi assim que, em 1994, Donald Miller Jr. foi declarado legalmente morto. Mas eis que, para surpresa geral, o dito cujo reapareceu em 2005. Apurou-se que ele permanecera durantes todos aqueles anos vagando sem rumo pelo país afora.

Na qualidade de morto, Donald não poderia ter carteira de identidade, seguro social ou permissão para dirigir veículos, claro. E assim ei-lo às portas dos tribunais requerendo uma decisão judicial que o declarasse vivo, a fim de que pudesse obter os documentos necessários a uma vida normal.

Entrou em cena, então, sua esposa Robin, segundo quem Donald deveria continuar mesmo morto – conforme declarou ao juiz, ela teria medo de ter que devolver todo o auxílio financeiro recebido do governo durante tantos anos por conta da suposta morte.

Seguiu-se a este ato insólito um outro pior ainda: o juiz escreveu, em sua sentença, que as leis estaduais simplesmente não previam a possibilidade de ressurreição de um ser humano. Assim, concluiu por declarar que “o Poder Legislativo estaria obrigado, diante do caso deste morto-vivo, a mudar as leis”. Arrematou sua decisão observando nunca ter encontrado um caso desses ao longo de 43 anos de carreira.

E assim lá está, vagando sem destino pelas ruas norte-americanas, Donald Miller Jr., o primeiro zumbi legalmente reconhecido da história!

Que tal meditarmos sobre este episódio? Nele estão presentes advogados destacados, um juiz experiente, um sistema legal que se anuncia como sendo o mais moderno do mundo e uma sociedade notoriamente avançada cientificamente. No entanto, lá está o zumbi a zombar de tudo isso!

Escutemos os doutos, exclamando com pomposa verbosidade que “o que não está no mundo das leis não está no mundo real”, tornando possível a constatação absurda de que o mundo real simplesmente não está contemplado pelo mundo das leis – e gargalha disso tudo Donald, o zumbi, criação maior de nossa ciência.

Já se falou que quando o mundo das leis ignora a realidade esta se vinga ignorando o mundo das leis. E eis o zumbi, que criamos ao arrepio das mais básicas regras da natureza, afrontando com seu permanente estado catatônico a inteligência viva de tantos doutores e autoridades!

Em mais alguns dias, e diante do absurdo da situação, decerto os legisladores aparecerão com alguma lei nova, tornando possível declarar-se vivo quem vivo esteja – e na sessão que aprová-la lá estará, entre os sábios, a figura gargalhante do zumbi, a gritar a mediocridade dos homens, que buscam ser deuses a bico de pena – através de uma canetada, em linguajar mais rústico.

Que tal olharmos, mas com olhos de ver, o mundo que nos cerca, tão rico em formalismos, rituais, leis e burocracia? Há alguém catatônico nele – mas seguramente não é Donald, o zumbi.

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