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Pedro Valls Feu Rosa | A saga de Edda

A saga de Edda

Edda, uma simpática cadelinha negra da raça “pug”, vivia feliz com seus donos na pequena cidade alemã de Ahlen. Eis que dado dia apareceu por lá um fiscal cobrando da família que a abrigava dados tributos em atraso.

Diante do reconhecimento de que não tinham como quitar suas obrigações tributárias, o fiscal decidiu confiscar alguns bens a fim de que, posteriormente leiloados, servissem para o pagamento da dívida.

O primeiro olhar do fiscal recaiu sobre a cadeira de rodas de um dos membros da família, deficiente físico, por ser o bem mais valioso que existia na casa. Porém, constatou que a referida cadeira de rodas pertencia, na verdade, a uma associação de trabalhadores – lá estava emprestada, à guisa de assistência social.

Foi quando o fiscal lançou seu olhar sobre a infeliz Edda – que decidiu levar a leilão. E assim foi feito. Carregaram a cadelinha, sob o olhar triste dos três filhos do casal. Poucos dias depois, devidamente leiloada através do popular serviço “eBay”, Edda foi encaminhada a um novo lar.

O caso, como seria de se esperar, resultou em forte comoção nas denominadas “redes sociais”. Questionou-se, vivamente, a crueldade das autoridades municipais. Eis que estas, então, foram a público defender a decisão tomada.

O tesoureiro municipal, Dirk Schlebes, declarou que o confisco foi legal e apenas aconteceu após terem sido levados todos os objetos considerados não essenciais da casa – à exceção, claro, da cadeira do deficiente físico, dada a circunstância de não ser propriedade da família.

Deste episódio resta uma constatação: os direitos humanos estão – como sempre estiveram – abaixo do interesse dos Estados. Era assim nos impérios da antiguidade e assim hoje é, independentemente dos níveis de riqueza e educação alcançados. Eis aí uma realidade superior ao tempo e às fronteiras.

Curiosamente, vem da mesma Alemanha a tese segundo a qual o Estado não existe para nos servir, como muitos acreditam. Antes, nós é que devemos servi-lo, pois que sem ele não existiríamos enquanto comunidade civilizada.

Porém, mais há: a partir do momento em que criado, o Estado passaria a ter personalidade e interesses próprios, superiores e muitas vezes até contrários aos dos humanos que o conceberam.

Agora vá à janela. Contemple o nosso país – e reflita sobre sua vida.

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