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Pedro Valls Feu Rosa | O que não existe lá

O que não existe lá

Dia desses li uma fascinante reportagem sobre o cotidiano dos habitantes da cidade de Osaka, no Japão, sob o ponto de vista da segurança pública. Eis o título da matéria: “Como é viver em uma das cidades mais seguras do mundo”.

Transcrevo dois trechos: “Os moradores podem retornar às suas casas caminhando, sozinhos e à noite; também podem carregar um computador portátil despreocupadamente, sem medo de que alguém o roube”.

E: “Deixar a carteira ou o computador portátil sobre a mesa de uma lanchonete enquanto se vai ao balcão pedir algo pode não ser uma boa idéia, salvo para os moradores de uma das cidades mais seguras do mundo. Eles podem fazer isso despreocupadamente”.

O Japão, todos sabemos, é um país paupérrimo. Lá não há petróleo, riquezas minerais ou sequer espaço para plantio ou pecuária. Para piorar, trata-se de um lugar exposto a terremotos e furacões frequentes.

A reportagem fala, em seguida, de Cingapura, igualmente uma cidade na qual pode-se andar despreocupadamente pelas ruas – de dia ou à noite. Sobre este lugar, proponho um exercício de imaginação: pense que Vitória receba seis milhões de habitantes, e seja declarada um país independente – sem recursos naturais de qualquer espécie, e sequer espaço! O que aconteceria? Pois é: lá aconteceu de criarem um dos mais ricos e fabulosos países do planeta.

Enquanto isso, contemple as ruas das grandes cidades brasileiras. Veja as pessoas andando agarradas aos seus pertences. Experimente abordar uma delas, para perguntar algo, e perceba a reação de medo e o olhar assustado. Nos domingos à noite, enquanto os habitantes de Osaka e Cingapura passeiam alegremente por ruas amplas e iluminadas, ficamos trancados dentro de nossas casas.

A segurança experimentada lá gera riqueza – as pessoas saem com maior frequência de suas casas, se sentem estimuladas a consumir mais etc. Enquanto isso, a insegurança daqui gera pobreza – afinal, para que comprar alguma coisa cujo uso seguramente resultará em assalto? Sair para jantar fora transforma-se, a cada dia mais, em uma aventura pouco recomendável – causando a falência de restaurantes e lojas, bem como o desemprego dos que nelas trabalhavam.

Que não se recorra, diante desta realidade, ao artifício de se apontar alguma falha daquelas sociedades, em uma patética tentativa de dizer que “eles estão como nós”, o que nos confortaria o espírito. Não, não estão. Que tenham lá suas falhas, pois que lugar perfeito não há, mas incontestavelmente estão muito à nossa frente neste aspecto.

Diante deste quadro, a pergunta é inevitável: onde estamos errando? O que nos falta fazer? A resposta, evidentemente, é complexa. Contribui, por exemplo, o fato de ignorarmos a já secular lição segundo a qual a certeza da impunidade é o maior estímulo ao crime – e isso vale tanto para o grande corrupto como para o assaltante da esquina.

Fragiliza-nos a realidade de que os aplicadores da lei trabalham, em sua esmagadora maioria, sem adequada proteção material e até mesmo legal – vivem sobressaltados, sujeitos a retaliações de todo tipo, até um ponto em que, para se preservarem e às suas famílias, se entregam à omissão, transformando-se em burocratas.

Sim, tudo isso nos fragiliza. Porém, acrescentaria eu um outro fator, que julgo determinante inclusive para o futuro do Brasil: em Osaka e Cingapura não há locais nos quais o Estado não esteja presente. Em Osaka, um Oficial de Justiça não depende da licença de um traficante para cumprir uma ordem judicial. Em Cingapura, escola alguma é fechada por ordem de bandos armados. Talvez esteja aí o nosso grande desafio: retirar das garras do crime o entorno de nossas maiores cidades – e a futura geração de brasileiros!

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