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Pedro Valls Feu Rosa | Dik-diks, corujas e pinguins

Dik-diks, corujas e pinguins

Dia desses, lá na Índia, avizinhava-se a hora de um casamento. E eis que o noivo apareceu completamente bêbado. O que fazer? A solução encontrada foi inacreditável: arrumaram outro pretendente e mantiveram a cerimônia.

Enquanto isso, na Alemanha, descobriram um elemento que alugava a esposa para o vizinho em troca de um engradado de cerveja por dia – acredite, isto chegou a ser objeto de um contrato formal.

Do outro lado do mundo, na Austrália, um cidadão decidiu que era a hora de recomeçar a vida. Assim, decidiu colocar em leilão sua residência com a esposa dentro. O lance inicial para ambos era de US$ 385 mil.

Quem também resolveu vender a cara-metade foi um inglês, responsável pela publicação do seguinte anúncio: “Vendo esposa reclamona. Sem taxas, sem inspeção. Manutenção muito elevada”.

Do outro lado do oceano, nos Estados Unidos, um certo Bob White teve a mesma ideia, porém adicionando ao “pacote” uma motocicleta.

Diante de uma realidade tão confusa, não surpreende a adoção, pela Malásia, do divórcio através do celular. Basta enviar uma mensagem escrita – um SMS, por exemplo – e o divórcio é concedido automaticamente.

Daí não surpreender também o resultado de recente pesquisa de opinião pública realizada nos Estados Unidos: nada menos que 40% disseram ser o casamento algo obsoleto – contra 28% em 1978.

É assim que a mais bela instituição que temos segue firme rumo ao ocaso, vítima do achincalhe e da desmoralização. Carrega consigo para o túmulo uma das esperanças da humanidade, que, perplexa, de há muito transformou em regra a exceção.

Assim, no Reino Unido, nada menos que metade dos pais terão se separado antes que seus filhos atinjam a idade de 16 anos. No Brasil, li que cerca de 50% dos casamentos terminam em divórcio.

Uma outra pesquisa, esta inglesa, aborda aquele que talvez seja o lado mais perverso deste quadro: um terço das crianças cujas famílias se desfizeram perdem o contato com o pai ou com a mãe. Vamos aos resultados disso: na idade adulta, uma a cada oito fica pelo menos um ano sem sequer visitar qualquer um deles.

Alheios a este sombrio descaminho da raça humana, os dik-diks seguem firmes em suas convicções – são pequenos antílopes africanos, que medem em média 60 cm de comprimento e 35 cm de altura. São animais extremamente fieis, assim como as corujas e os pinguins, por exemplo.

Lá do alto de suas naturezas irracionais, estes animais compreenderam que as coisas da vida passam, e passam muito depressa. E eis que lá no final – que ao fim do cabo está ali, mais perto do que pensamos – ficarão apenas os dois velhinhos, testemunho vivo do que pode haver de mais belo em uma relação.

Crises? Sim, elas existem. Fazem parte da vida. Mas que tal refletirmos sobre os resultados de um abrangente estudo norte-americano, segundo o qual oito de cada dez pessoas que se declararam muito insatisfeitas com seus casamentos, mas que permaneceram neles, reencontraram a felicidade após cinco anos – período em seguida ao qual metade dos que decidiram se separar confessaram estarem ainda mais infelizes.

Diante destes dados, cumpre a pergunta: temos sido suficientemente persistentes e conscientes? Será que, atordoados pelos gritos de falsas maiorias, temos faltado com a necessária firmeza na defesa de valores os mais sagrados?

Afinal, como ensinou Vercors, “a humanidade não é um estado a que se ascenda – é uma dignidade que se conquista”.

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