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Pedro Valls Feu Rosa | Morte caríssima

Morte caríssima

Dia desses li uma fascinante notícia em um respeitado jornal britânico. Denunciava-se, veementemente, que naquele país o custo de morrer está, perdoando a expressão, “pela hora da morte”.

Apurou-se que a margem de lucro das empresas funerárias alcança surpreendentes 43% – o que, segundo a reportagem, é suficiente para posicioná-las dentre as mais rentáveis do Reino Unido.

Nos últimos dez anos os preços de enterros e funerais foram majorados em 84%. Somente em 2018 houve uma alta de 4,9% no preço dos enterros e 6,1% no das cremações – contra uma inflação nacional de apenas 2,2%.

Assim, o custo de morrer lá no Reino Unido anda em torno de £ 9.200 – algo em torno de R$ 44,5 mil. Apurou-se que este valor corresponde a cerca de 40% das despesas anuais de uma família típica de classe baixa – e mais do que ela gasta com alimentação, vestuário e energia somados.

Dir-se-ia estarmos diante de um caso típico de ganância de empresários, de exploração dos mais vulneráveis em um momento particularmente difícil da vida, qual o da perda de um ente querido. Nada mais falso! E assim porque este é um serviço gerido, em sua maioria, pela administração pública!

Eis aí algo digno de reflexão: a flagelar os menos favorecidos está exatamente o governo, responsável, por exemplo, por dois terços dos crematórios disponíveis! Segundo registrado na matéria, as administrações municipais faturaram, apenas em 2018, £ 95 milhões – uns R$ 460 milhões – das famílias em luto!

Diante destas informações fiquei a pensar no quanto os governos arrecadam pelo planeta afora vendendo serviços prestados – no mais das vezes precariamente – a preços absurdos, totalmente dissociados de qualquer planilha de custos séria. Eis aí o retrato de uma economia monopolista e cartorial, superior a épocas e fronteiras.

Dizem alguns que o Estado existe para nos servir, que o povo o constitui e sustenta para ser por ele atendido em suas necessidades. Contemplando a realidade, porém, chego a conclusão outra: nós é que existimos para satisfazer o Estado. Este, uma vez formado, adquire personalidade e interesses próprios, no mais das vezes distintos e até contrapostos aos dos cidadãos que o constituíram. É desta constatação que explica-se a grande luta travada há séculos pela humanidade: como proteger-se do Estado?

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